Lembranças da Copa de 1982

Lembranças da Copa de 1982
Acompanhe a história da Sportec, com artigo de Ricardo Bucci, com as seleções produzidas pela saudosa fábrica de botões

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Registros do Futmesa em 1918

Relíquia mostrando o esporte já sendo praticado nesses idos. Retirado do periódico 'Vida Sportiva'


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Exclusivo de Botões para Sempre

Cucina, Calcio e Bottone!
 Por Ricardo Bucci
Botões para Sempre teve a honra de entrevistar Sílvio Lancellotti. O papo não poderia ser outro: o nosso amado futebol de botão. A bolinha, a batedeira e os nossos botões, pequenos guerreiros em miniatura, sempre estiveram presentes na vida do escritor, arquiteto, gastrônomo e jornalista. Conheci o Mestre há dezessete anos atrás no extinto portal de cultura & gastronomia ‘Passaporte Brasil’. Naquela oportunidade a conversa descontraída foi envolta sobre as massas italianas, como os tortellini de Bologna.
Agora o nosso amado esporte, isto é, o ‘velho’ futebol de botão esteve em pauta. Lancellotti teve a questão de logo enfatizar no começo da conversa: “Sou dos tempos dos botões com os distintivos marcados na prensa. Depois, fabriquei os meus próprios, a partir de fichas do 'Café Paraventi' e da loja 'Ás de Ouros'. Goleiros perpetrados com moldes de chumbo. Sem falar dos encomendados na Brianezi”.
Voltemos ao túnel do tempo. Todos que admiram a história do futebol devem recordar-se. No fim dos anos 80 era tradição nas manhãs de domingo ligar a TV, especificamente na Band (na época chamávamos de Canal 13 aqui em São Paulo) e assistir ao vivo o ‘Calcio’ (Campeonato Italiano) durante o ‘Show do Esporte’, idealizado pelo saudoso Luciano do Valle. Em meio à macarronada fantástica de minha nonna napolitana Maria Casciello que fazia como ninguém suculentas pastas, assistia as grandiosas transmissões esportivas capitaneadas por Sílvio Luiz na narração. Os comentários eram estrepitosos. Regados com ‘pitadas’ gastronômicas de Giovanni Bruno, o querido e inesquecível ‘Anarello’, o maior ícone gastronômico que a cidade de São Paulo já teve e ele, Sílvio Lancellotti. Lembro-me também perfeitamente que meu saudoso avô paterno Oswaldo Bucci pulava de emoção quando seu querido Napoli fazia mais um gol: “Carecone”!, gritava meu nonno, apelido do craque brasileiro Careca na Itália.
O futebol italiano vivia um momento glorioso, depois da conquista da Copa da Espanha de 1982. Era o mais badalado do planeta. Grandes ‘squadras’ do Calcio desfilavam nos gramados. Jamais podíamos esquecer do Napoli, paixão de Giovanni Bruno, de minha nonna e de meu nonno Bucci. Maradona, Careca e Alemão deixavam os apaixonados torcedores no estádio San Paolo literalmente 'malucos'. No Norte da ‘velha bota’, uma expressão que, aliás, Lancellotti sempre gostou de usá-la, o trio de holandeses do Milan (Rijkaard-Gullit-Van Basten) faziam a bola rolar com mais genialidade. A Juventus de Turim ("La Vecchia Signora"), uma das maiores paixões de Lancellotti, tinha gênios como Platini e Boniek que brilharam na Copa da Espanha. Sem contar com o talento de Mancini, Cerezo e Vialli na Sampdoria. Ou dos alemães Brehme, Matthaüs e Klinsmann na Internazionale. E de tantos outros craques e esquadrões.
Lancellotti era ávido por qualquer informação nas partidas do Calcio. Telefonava para a ‘bella’ Itália, em busca das novidades. Isso, numa época em que não existia a Internet e as ligações eram dificílimas. Assim ele conseguia chamar a atenção dos telespectadores com minuciosas informações sobre os jogos, atletas e peripécias do futebol italiano. Além de seu extenso conhecimento sobre as cidades e os pratos típicos de cada região. 
Seu filho mais velho, o Dado, hoje um publicitário de renome, adorava o futebol de botão. “Nós montávamos gigantescos campeonatos em nossa casa. E, para que tivéssemos um mínimo de realidade, eu comecei a colecionar muitas publicações, principalmente da Itália. Ficamos especialistas amadores do futebol internacional”, relembra. Quando Luciano do Valle convidou-o a comentar o Calcio, em 1984, foi quase fácil, por causa do extenso arquivo que seu filho e ele haviam conquistado.
 "Luciano do Valle fez de mim um comentarista esportivo", salienta Lancellotti
A ‘veia’ siciliana e sua trajetória
  A família italiana de Lancellotti
A torcida apaixonada do Palermo, na Ilha da Sícilia
Concebido em Palermo, na Ilha da Sicília, mas que veio ao mundo na cidade de São Vicente/SP em 1944, Lancellotti iniciou a sua carreira, nos dois ofícios (arquitetura e jornalismo), simultaneamente, em 1968. Até 1977, projetou residências, edifícios de moradias ou de escritórios, agências bancárias, instalações esportivas, escolas públicas, mais de 200.000m2 de área construída. Então, já com passagens pelas redações de Veja e de Vogue, aderiu ao time pioneiro de Mino Carta em Istoé, como secretário de redação e como editor-chefe.
Lancellotti ajudou a fundar, ao lado do ítalo-brasileiro, Mino Carta, a revista Veja. Em 1968, integrou a equipe que fundou a revista, em uma época que certas opiniões sofriam com o poder da censura. Ainda na mídia impressa, foi redator-chefe da Istoé, diretor de redação da revista Vogue e colaborou com os maiores jornais da capital paulista, o Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo.

Abandonou a régua-T e se dedicou exclusivamente à profissão de jornalista — e, inclusive, se especializou em gastronomia. Na Folha e no Estadão, implantou, com sucesso, um estilo divertido de escrever receitas e de analisar restaurantes. Apresentou, na TV Record, e em outras emissoras, perto de 6.000 programas destinados à culinária.

Jornalista, Arquiteto e um exímio Gourmet
No percurso, lançou dezenas de livros entre culinária, romances e esportes. Honra ou Vendetta, por exemplo, mereceu uma esplêndida adaptação de Lauro César Muniz, na Record, na novela ‘Poder Paralelo’.
Mestre Lancellotti: "Em toda minha trajetória como jornalista, os seus brilhantes livros de culinária me serviram como fonte e pesquisa gastronômica dos pratos e, sobretudo, das massas italianas. Estão aqui PARA SEMPRE EM MINHA COLEÇÃO!", Um abraço fraterno, Ricardo Bucci
Ainda, lançou seis livros a respeito do Esporte, como o volumoso compêndio “Olimpíada – 100 Anos”, com a história integral dos Jogos, prova a prova, desde 1896. O jornalista e critico gastronômico carrega em sua bagagem sete Copas do Mundo e cinco Jogos Olímpicos, além de outras diversas experiências dentro e fora do país. São quase três décadas de dedicação ao futebol italiano. Além de cuidar dos comentários das partidas na Band, nos anos 80, passou também pela TV Manchete. No final de 2011, lançou Em Nome do Pai dos Burros, um romance polêmico e muito elogiado.


Coberturas de Copas do Mundo de Lancellotti 
Em 2012, Lancellotti se despediu dos canais ESPN no ar, durante a final da Copa da Itália entre Juventus e Napoli. Na ocasião, ele anunciou que ganharia um blog no portal R7. O blog “Copa & Cozinha” (link: http://esportes.r7.com/blogs/silvio-lancellotti/) é um site bem diferente do convencional. Ostenta seções diversas — algumas renovadas diariamente; outras, semanalmente. Exibe frases que coletou, fala sobre fatos pontuais, recorda experiências de Olimpíada e de Mundiais de futebol, compartilha as suas experiências na culinária, aconselha os mais jovens e ainda revela as suas predileções musicais.
Bom, agora vamos nos deliciar com a entrevista exclusiva do Mestre ao blog Botões para Sempre.
Botões para Sempre: Foi o senhor que influenciou seu filho, Dado Lancellotti, a gostar do futmesa? Caso positivo como surgiu sua paixão e ‘veia’ botonística?

A minha paixão vem da infância, data dos anos 50, quando meus pais me deram os primeiros times, ainda de plástico duro, os distintivos gravados por pressão na superfície. Aliás, eram botões irregularíssimos. Não havia um igual ao outro. Jogava com meu irmão, o saudoso Gigio, e com os meus pais, os inesquecíveis Helena e Eduardo...


BPS: Fale um pouco sobre seus primeiros botões. Qual foi o primeiro time (ou os dois primeiros que apareceram em sua casa), como e quando conseguiu adquiri-los e com quem praticava o jogo.

Logo depois, com uns dez de idade, comecei a me interessar mais. Já existiam botões melhor industrializados, aqueles em que círculos plásticos, como lentes de contato, prendiam os distintivos – no caso, de papel. Jogava com o Gigio, com parentes, vizinhos, colegas de escola. Eu tinha vários times do Corinthians, o Gigio vários do Palmeiras. Um primo querido, o Adelino Pimentel, era então muito mais avançado. Ele usava fichas de jogo, as distribuídas pelo ‘Café Paraventi’ e as compradas na loja ‘Ás de Ouros’. Uma trabalheira deliciosa. Lixávamos as fichas cuidadosamente, até que ficassem super-lisas. E ainda fazíamos as quinas nas bordas, menos inclinadas para os zagueiros, médias para os apoiadores, delicadíssimas para os atacantes, de modo que pudessem encobrir os arqueiros. Que, aliás, nós também fazíamos com chumbinhos de peso de varas de pescar. Colocávamos os chumbinhos num molde e daí martelávamos até que tudo ficasse homogêneo. Com as fichas e os arqueiros de chumbinho eu criei um esquadrão que ficou invicto por mais de duzentas partidas. Era lindo, de escalação fictícia: Batman (azul escuro com uma figura do herói coladinha), Napoleão (branco), Celestino (azul clarinho), Garrastazu (vermelho, muito anterior ao general que virou presidente) e D’Orange (alaranjado); Clausewitz (amarelo gema) e Lancelot (amarelo clarinho); Luzeiro (verde clarinho), Mohammad (azul brilhante), Júpiter (rubro vivo) e Xixi (óbviamente, da cor do próprio). Eu também produzi a minha própria mesa, de compensado que encerava manualmente; as traves, as bolinhas etc.

BPS: Li um artigo brilhante na Folha de SP, em 2010. Ali o senhor relata que visitava a lojinha da saudosa Brianezi que ficava no bairro paulistano do Belenzinho. Quais são as maiores recordações que teve do local? 

Quando o meu filho Dado tinha uns oito anos, começou a praticar Futebol no Esporte Clube Pinheiros. Atuava no time dirigido por um grande amigo meu, o Rubens Tavares Aidar, que mais tarde se tornaria Presidente do Tribunal do Trabalho no Estado. O Luís Felipe, filho do Rubinho e hoje meu advogado, também integrava o time. Numa festa de aniversário do Dado, o Luís Felipe apareceu com os primeiros Brianezi que o meu bambino teve, Corinthians, é claro. Pacientemente eu datilografei os nomes dos atletas do Coringão, aquele com Sócrates e Palhinha, em tiras de papel autoadesivo, e colei nos botões. Daí, aconteceu uma explosão. Eu colecionava a revista “Guerin Sportivo”, da Itália, que costumava publicar páginas com miniaturas dos “scudetti”. Levava à Brianezi e encomendava botões do Calcio, do Futebol Argentino, do mundo todo, enfim, assim como botões das seleções que disputavam a Copa. Recordo que no fundo da loja, num reduto escuro, aconteciam diversos campeonatos de botão.


 "Pacientemente eu datilografei os nomes dos atletas do Coringão nos Brianezi"


BPS: O senhor teve contato com os proprietários da fábrica, inicialmente com Paulo Brianezi (in-memorian) - fundador que registrou a fábrica em 1972 -, depois com o filho dele, Lúcio Brianezi?

Muito contato. Ficamos bastante amigos. Frequentemente eu levava a ele sugestões de clubes que a Brianezi pudesse transformar em botões. O Dado tem os dele até hoje, armazenados e guardados cuidadosamente em sua coleção. Creio que cerca de duzentos clubes e seleções diferentes, alguns com uniformes que nós personalizávamos ao nosso jeito.

Brianezi do Cosmos da edição de Luxo em 50mm: coleção particular da família de Lancellotti
Botafogo/RJ no modelo 'duas faixas' da Brianezi do final dos anos 70
BPS: Comente sobre os lendários botões Brianezi. O senhor ainda guarda-os em sua coleção? E qual foi o primeiro time que o senhor comprou da fábrica.

Lendários, mesmo. Ficaram todos com o Dado e, hoje, com o meu neto Dudu. O primeiro que eu encomendei à Brianezi foi um da Juve de Turim.


Juventus de Turim e o querido Palermo: duas grandes paixões de Lancellotti
BPS: Quantos jogos de botões aproximadamente o senhor possui. E qual é o mais antigo e que tem a sua maior admiração.

Ainda guardo, apenas, aquele das fichas que eu mesmo produzia. Vai ser cremado comigo (rs).


BPS: A Brianezi encerrou suas atividades no final de 2001. O colecionismo neste segmento ficou mais órfão com o fim da produção dos jogos?

Desafortunadamente os eletrônicos venceram essa batalha.

Artigo sobre Futebol de Botão na Folha, em 2010, escrito por Lancellotti
BPS: Quais eram suas maiores preferências no universo do botão? Jogar com times nacionais, estrangeiros ou seleções?

Fazíamos campeonatos, de acordo com as épocas. Paulista, Brasileiro, Italiano, Mundial e muitos outros.
BPS: O senhor é referência no país quando o assunto é Calcio italiano. Isso de certa forma teve alguma relação com o gosto de praticar o esporte?

A minha paixão pelos botões é muito anterior ao meu trabalho com o Calcio, e com o Futebol do Mundo em geral. Quando eu comecei a colecionar publicações internacionais sobre o Futebol, claro, de certo modo se reavivou o meu gosto pelos botões.

BPS: Na TV brasileira o senhor ficou marcado por comentários esportivos que sempre eram ‘recheados’ de curiosidades das cidades italianas, além dos pratos preferidos de cada região. Gostaria que imaginasse que o Avellino Calcio, time que tenho afeição pela minha descendência napolitana, entrasse em campo para enfrentar outra agremiação. O que o senhor nos contaria de interessante dessa ‘squadra’ que nos anos 80 apresentava em seus quadros os nossos brasileiros Juary e Dirceu?

Avellino, “vicino” a Napoli, região da Campânia. Estive lá. Talvez uns 55.000 habitantes. “Comune” fantástica cercada de montanhas. Tem vários museus dedicados à Zoologia.

BPS: De onde veio a inspiração de criar o termo ‘velha bota’?

Ah, não criei eu, não. (rs). Isso é coisa muito antiga.

BPS: Uma pessoa que me marcou demais pela humildade e caráter foi meu saudoso amigo Giovanni Bruno. O senhor teve a honra de trabalhar ao lado dele nas partidas. Qual foi a maior lembrança que teve do querido ‘Anarello’?


Ah, são infinitas...Na sua Cantina ‘Il Sogno di Anarello’, inclusive, era normal que eu fizesse dueto com ele em canções napolitanas.

BPS: O futebol de botão acabou ou ainda poderá ser amado PARA SEMPRE?

Infelizmente, virou coisa de arqueólogo.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Saudades de meu primeiro artigo...

por Ricardo Bucci
Ah! Se pudéssemos voltar no tempo...
Caríssimos amigos, colecionadores e leitores de "Botões para Sempre". Não resisti à tentação de escrever um artigo e apresento-lhes um pouco da vibrante Brianezi, cuja empresa foi pioneira nos botões chamados "oficiais". Uma pena que a Brianezi encerrou sua linha de produção de botões, em dezembro de 2001, muito motivada pela pressão dos clubes frente ao uso de imagem dos escudinhos e pelo próprio enfraquecimento do futebol de botão por causa dos jogos eletrônicos.
Bons tempos àqueles que podíamos fazer um pedido a domicílio ou mesmo frequentar a lojinha da Brianezi, que se localizava na Av. Álvaro Ramos, na esquina de uma "viela" sem saída, no Belenzinho, em São Paulo.
Bons tempos que no fundo dessa lojinha rolava campeonatos disputadíssimos, onde pais e filhos tinham um só objetivo: se divertir.
Bons tempos onde tínhamos a chance de adquirir, em qualquer loja de esporte, um jogo de botão "oficial". Pela pesquisa que realizei no site 'Empresas do Brasil', Paulo Brianezi, fundador da marca, registrou o nascimento da fábrica em 17 de agosto de 1972. No livro "Botoníssimo - O livro do Futebol de Mesa", de Ubirajara Bueno, nos idos de 1972, o fundador Paulo logo depois de confeccionar botões de forma caseira, industrializa o processo, usando acetato de celulóide importado do Japão. Já os botões, do tipo "tampa de relógio", são decorados com escudos e bandeiras. O resultado? Bingo! Um jogo com acabamento impecável. No estojinho desfilavam monstros sagrados do futebol de uma época mais 'romântica', digamos. A bolinha de lã era novidade. As mesas - chamadas de campos oficiais -, (que eu cresci chamando de "tábua") lembravam estádios reais como uma Fonte Nova, Castelão ou Maracanã. As palhetas eram coloridas (verdadeiras relíquias se hoje encontradas) e davam mais emoção ao jogo. Mediam cerca de 52mm de diâmetro e eram macias e flexíveis.
Apresento-lhes abaixo um catálogo de times produzidos na fase áurea da Brianezi. Ninguém produziu tantos times como a Brianezi. A coleção é extensa. No final dos anos 70 e início dos 80, a Brianezi vendia cerca de 250 times nacionais, internacionais e seleções. O CEUB - Centro de Ensino Unificado de Brasília (DF) era um time caçula dos concorrentes do Campeonato Nacional de 1973. Tinha apenas dois anos de existência e era formado por jovens valores e "cobras" do passado como Rildo, Oldair e Lumumba. Seu treinador era João Avelino e, nas mesas da Brianezi, o time se destacava pelas suas cores coloridas azul e amarelo. Outras agremiações do DF feitas pela Brianezi era o Colombo, campeão candango de 1971, e o inusitado Carioca. No estado do Ceará, a Brianezi produzia um dos times mais simpáticos do Nordeste: o Calouros do Ar. O "Tremendão da Aerolândia", carinhosamente chamado pelos torcedores do Calouros, foi fundado em 1952. O nome foi dado em homenagem ao conjunto musical da Base Aérea de Fortaleza (CE) e aos aspirantes a oficiais aviadores que chegavam todos anos à Base.
Tive na década de 80, e agora com muito custo e espera, consegui achá-lo novamente, um dos times mais conhecidos do mundo: o Cosmos, time em que o Rei do Futebol, Pelé, encerrou sua magistral carreira. O nome do clube foi idealizado pelo inglês Clive Toye, o primeiro diretor do clube. A inspiração veio do New York Mets, time de beisebol. Foi também por sugestão de Toye, que as cores iniciais do Cosmos fossem o verde e amarelo, em homenagem ao Brasil de 1970, tri-campeão da Copa do Mundo. O verde e o amarelo permaneceram até 1974, quando foram alterados para o branco e o verde, que foi usado até 1979. A partir de 1980, as cores passaram a ser o branco e o azul. A Brianezi produzia em maior porcentagem na fábrica o Cosmos em "amarelo com faixas verdes". Porém, existiam outras versões de cores. Exemplo: podíamos achar três cores de botões para a ex-Alemanha Oriental (branca, vermelha e amarela) e assim por diante com outros times.
Depois adquiri bons times da Brianezi que ainda hoje dão trabalho a qualquer outro botão fabricado artesanalmente. São eles: Brasil CBD, de 1979 (a CBD reinou no país até esse ano); Internacional, de 1978, Flamengo, de 1979, Manchester United, de 1980, onde tínhamos o número 9 que eu comentava que era o 'melhor do mundo', no botão, pois ainda ele joga uma "barbaridade"; Guarani, de 1981, Corinthians, de 1982 e centenas de outros comprados já numa "terceira fase", no final da década de 80.
Porém, o primeiro a gente nunca esquece. No começo de 1977 aparecia em minha casa o primeiro "Brianezi", comprado pelo meu pai e que era do meu irmão mais velho. Tratava-se do Clube do Remo, um dos grandes times da região Norte. Ficávamos encantados com o estojinho, o goleiro (que estampava o distintivo do clube), feito de 'pedra', a palheta ou "batedor" (que era colorida e tinha o azul como cor marcante) e a bolinha, que, por incrível que pareça, também era revestida de lã azul e branca, ou seja, as cores do 'Leão Azul do Norte'.
Aproveito abaixo também para ilustrar um pouco esse artigo com fotos de alguns Brianezi. Fico aqui no aguardo de comentários dos meus leitores na expectativa de encontrar pessoas que possam contar um pouco de seus Brianezi, principalmente, daqueles jogos da segunda fase da empresa, que compreende a fase de 'ouro' da Brianezi, isto já na segunda metade dos anos 70 e início da de 80, cujos botões eram encontrados nas lojas com aquelas "duas faixas" típicas, em celulóide. E é justamente dessa época que posto essa lista, feita pela própria Brianezi, e que continha uma centena de times nacionais, internacionais e seleções. 

Lista dos times produzidos pela Brianezi do período 1977-1986:
A caixa típica da fábrica, com a rara seleção albanesa de minha coleção
Acima, o New York Cosmos, final dos anos 70 e abaixo, o Brasil CBD 1979 e Manchester United 1980
Este Juventus da Mooca é seguramente o time mais ileso de minha coleção antiga. Nenhum risco, trinca, quebra, parece que foi fabricado ontem pela Brianezi. O goleiro de pedra, típico das primeiras gerações, que durou até esta época. A partir do final dos anos 80, a empresa optou por fazer goleiros sem os escudos dos clubes.
Palhetas coloridas e flexíveis: De 45 a 46mm de diâmetro, anos 70 que durou até 1986
Acima, o CEUB 1973, de Manchete Esportiva. Abaixo o raríssimo Piauí duas faixas:
 Acima, o Calouros do Ar, time que a Brianezi produzia. Abaixo, a formação da década de 50: A partir da esquerda (em pé): Edílson Araújo, Zezinho, Beto, Elder e Zuzinha. Na mesma ordem (agachados): Luciano, jandir, Jesus, Coité, Jairo e Pedrinho. Fonte: Coluna Tom Barros – Jornal Diário do Nordeste
O Nice da França: seguramente um dos mais difíceis times europeus da Brianezi de se encontrar.
Estados Unidos: segunda edição com o Porto Rico feito nos primórdios entre 1972-76
Brianezi produzidos entre 1987 até o fim do encerramento da linha, isto é, em 2001. Os de 1987 a 1996 são mais robustos e 'gordinhos'. Os de 1997 a 2001 são mais duros e rígidos.
Acima, o time do Remo de 1977, da Brianezi e abaixo, fotos, com crédito da Placar, em alta resolução do Clube do Remo, nos anos 70!
 Clube do Remo 1972
Clube do Remo 1973

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Antigos Brianezi da RFA

A antiga Alemanha Ocidental da Brianezi, seleção que era poderosíssima e ficou ainda mais perigosa depois da união das duas Alemanhas.
Em três modelos de celulóides importados:
1972: primeira edição com apenas a bandeira e o número
1977: duas faixas
1972-86: 50mm com três faixas, modelo raríssimo flexível.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Bugrão da Brianezi

Modelo 1: Campeonato Brasileiro de 1978
Modelo 2: Começo dos anos 80
Ambos em celulóides importados
Tamanho: 42mm
1989 - Terceira fase
Material: acetato
Ano que durou: até meados de 1996
Tamanho: 42mm
O modelo verde acima é de 1972-76, da primeira leva, tb em celulóide.